Apresentação de “Paraquedas”

Lancei um livro! É. “Paraquedas”, pela Editora Ideia. Poesia. Ninguém lê poesia, eu sei, mas me comove muito e acho que é errado escrever algo que não te emociona.
Sabe quando dizem que um livro vai te dar muito orgulho e muita vergonha? É verdade. Sempre que alguém fala dele, me dá um frio na barriga enorme.
Fiquei muito feliz, porque ele esgotou ainda na sessão de autógrafos. Depois, foi um problema: estou devendo livro a muita gente querida 😛
Alguns amigos perderam meu discurso, durante o lançamento. Como pediram, publico abaixo o que foi planejado. Na hora, obviamente, eu suei, surtei e falei um pouco mais.

Boa noite!
Primeiramente, quero agradecer a presença de todos. […]
E já que estão aqui, quero também compartilhar uma das minhas mais tenras memórias de infância. Éramos eu, meus pais e minha irmã, pessoas a quem o livro é oficialmente dedicado, sentados no sofá da primeira casa onde moramos, assistindo ao Acústico MTV de Cássia Eller. A segunda música do DVD é Malandragem. Reza a lenda que Cazuza e Frejat compuseram a música pensando em Ângela Roro, que debochou da letra. Não conseguiu imergir no eu-lírico ainda no primeiro verso, “quem sabe eu ainda sou uma garotinha”. Embora, na voz de Cássia, essa canção tenha sido imortalizada, imagino o que ambas pensaram da seguinte frase: “eu sou poeta e não aprendi a amar”. Eu cresci, as músicas desse Acústico continuaram a ser a trilha sonora da minha vida, contudo, esse verso nunca deixou de me incomodar.
Que raio de poeta é esse que não ama? Se, no século XXI, não existe mais a obrigação de métrica, rima e muita dor, considero apenas duas coisas essenciais para o exercício da poesia: uma caneta BIC e o peito cheio de paixão. É o amor que move o poeta, que está no andar das musas, nas calçadas, nas ruas e na infinitude particular contida no brilho efêmero de uma estrela. É a falta de amor, também, que inquieta tanto, a ponto de criar a necessidade de escrever.
Claro, na literatura mundial, houveram os hipócritas: Vinícius de Moraes escreveu o belíssimo “Soneto da Fidelidade”, mas teve oito esposas (sem mencionar as incontáveis amantes). Ele só fazia do amor infinito enquanto durasse, não sendo de tudo, a ele, atento. Acredito que tenha havido o maior encanto, que dele se encantou mais seu pensamento, mas cadê o tal zelo, dito “sempre e tanto”? Para onde vai o amor, quando o cuidado vai embora? Aliás, será que um amor, sem zelo, realmente esteve lá?
Tenho minhas dúvidas. Já não sou mais tão criança a ponto de saber de tudo. Talvez o Leléu, de Lisbela e o Prisioneiro, saiba mais que eu. Na adaptação cinematográfica do Guel Arraes, ele diz: “o amor é como um precipício. A gente se joga e torce para nunca chegar ao chão. Às vezes, durante a queda, você acha que está voando, mas na verdade, está caindo.” Portanto, nesses tempos em que falta esperança e o amor é esse abismo, façamos da poesia um paraquedas para amortecer o destino. Muito obrigada!

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