Soneto Impedido

Quatrocentos homens ricos e brancos
no domingo até às onze no trampo
gritam por um futuro de fartura,
mas só querem fartura na fatura.

Em nome do pai, do filho, da neta,
ninguém vai dobrar a meta (que meta?).
Em nome de Deus, não há golpe: é gospel.
Bons pais, honestos, que vão pro céu (que céu?).

Pelo meu país, só vota palhaço.
Pelo sim, pelo não, voto em quem casso.
Em terras tupiniquins, um cacique

talvez nos guie com menos chilique.
Na Câmara, ninguém me representa.
Sermos tantos esquecidos me atormenta.

18/04/2016
Clara

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