Lula lá: decresce a esperança

O pioneirismo egípcio é notável: a sociedade desenvolveu-se econômica e socialmente na Antiguidade. Escrita, pintura, arquitetura e mitologia foram altamente estimuladas às margens do Nilo. Com a abundância do papiro, suas fibras podiam ser utilizadas na construção de instrumentos, como cordas. Contudo, sua função mais lembrada é relacionada à fabricação do papel.

Escribas costumavam transcrever fatos, assuntos religiosos e questões políticas nos papiros. Para aumentar as vendas, propagandas também eram feitas. Essa forma primitiva da publicidade já antecipava o poder de tal meio de comunicação. A mídia é grande responsável pelas impressões sobre alguém, a prosperidade de empresas e a organização social contemporânea.

Não fossem as campanhas publicitárias comandadas pelos marqueteiros Duda Mendonça e João Santana, o Partido dos Trabalhadores não teria vencido tantas eleições consecutivas. Por trinta dias, o cineasta João Moreira Salles acompanhou os bastidores da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva para a presidência da República, em 2002. Seus registros viraram um documentário: Entreatos.

Nele, reuniões, telefonemas e programas eleitorais explicam súbitas mudanças de rumo e discurso do agora ex-presidente investigado. É visto também um Lula brincalhão, pouco sério, que todos estamos cansados de ver. O filme é uma aula de merchandising e política. Mostra quem manda, como manda e porque manda. A mídia deveria informar e garantir a democracia, mas esse plano é utópico. Escrever sobre determinado assunto e publicá-lo em determinado veículo já é um posicionamento. A imparcialidade é impossível.

Em um voo ocupado por Lula, José de Alencar, Antônio Palocci e outros então petistas ferrenhos, havia um debate acerca do futuro. O documentário registra a seguinte pérola de um engravatado: “eu não sei como é que vai ser o governo desse moço, mas que vai ser engraçado, vai”. A frase antecede a longeva administração petista. Domingo passado, houve o maior protesto da história do Brasil. A inflação está altíssima. Corrupção e desonestidade estão evidentes. Os índices de desemprego são assustadores. É difícil rir diante da crise.

Teatro dos Vampiros, canção da Legião Urbana, possui o seguinte trecho: “acho que não sei quem sou/ só sei do que não gosto”. Vejo-me na mesma posição, sem saber o que irá acontecer ou qual é a melhor alternativa para a nação. Só sei que não quero não viver em uma democracia. Não quero viver em uma democracia presidida por uma pessoa tão desorganizada quanto Dilma Roussef. Não quero viver num país presidido por Michel Temer, que pode ser tudo, menos decorativo. Não quero viver sob as leis de Eduardo Cunha, que se aproveita da situação. Aliás, Temer e Cunha devem estar, nesse momento, elaborando planos e pedindo a bebida que pixxxxxxxca. Regina Duarte, lá em 2002, tinha razão em ter medo.

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