“Insisto em questionar o que há de errado
Sem nunca enxergar o outro lado
Diga como encontrar
A solução
Pra eu te levar
De volta pra casa
Volta,
Deixa eu te levar
Deixa eu te abraçar
Deixa eu te beijar…”

“Insisto em questionar o que há de errado
Sem nunca enxergar o outro lado
Diga como encontrar
A solução
Pra eu te levar
De volta pra casa
Volta,
Deixa eu te levar
Deixa eu te abraçar
Deixa eu te beijar…”

Eu cansei.
Não quero mais brincar assim. Deu.
Eu não quero mais falar que tá tudo bem. Não tá tudo bem. Nem estava mais da metade das vezes que eu disse que estava. Eu só falei pra não deixar existir a possibilidade de você se sentir mal.
Eu não queria falar com ninguém aquela hora, eu queria um abraço. O teu abraço pra ser mais precisa. Tuas palavras eu estava tendo momentos antes. Eu queria tua presença.
Eu também não quero mais brincar de gente grande, de responder por todos meus atos. Eu quero cafuné, festinha na barriga. Eu quero a tua voz junto do teu braço, no teu abraço.
E eu nunca quis te cobrar satisfações ou justificativas. Eu queria a tua cumplicidade.
Mas deixa pra lá. Agora eu não quero mais nada.


Logo o céu vai clarear, a sandália que fica no chão, com cada pé de um lado. O olho borrado, anunciado pelo espelho, é só o resultado de uma noite não dormida, talvez aproveitada. Talvez se… ou então se…
A certeza ficou sabe-se lá em qual garrafa, agora vazia. A alegria procurada nelas não apareceu. É hora de ir para a cama. De não pensar, muito menos de lembrar. Cada vez mais se faz presente, e não é agradável.
Os olhos se fecham, mas os ouvidos continuam atentos a todos ruídos, que já não existem mais. Aquela frase. Essa frase. Ela não pára de se repetir, e novamente, e denovo, mais uma vez.
Agora era a hora do abraço, do afago, das palavras trocadas que agora são substituídas pela presença.

… arrastam.
Os ouvidos alcançaram a notícia, antes mesmo que os olhos se fechassem para o início da noite. E fora do cômodo, e os olhos procuraram um lugar seguro, uma imagem que não a comovesse.
-Não, eu Não vou ficar em casa – ouviram.
E não ficou. Lembrou-se da vezes em que ouviu contarem de como foram ao seu encontro e não faria diferente.
Doeu.
Doeu muito mais que pensasse. Doeu muito mais que um dia já pode imaginar que pudesse. Os sonhos, na noite anterior tinham lhe avisado, apenas não havia entendido.
A chuva se fez presente a noite toda e as lágrimas nos olhos presentes também, o frio aumentou e a sensação de vazio apareceu. E esta, não parava de crescer. Os olhos não se fecharam um segundo sequer.
A manhã nasceu devagar e a seu tempo, a chuva não havia ido embora. Apenas o desejo de que tudo aquilo não tivesse acontecido passava em sua cabeça, além das lembranças. A manhã se estendeu, e o que antes parecia tão rápido, se tornou uma eternidade.
Quando a chuva cansou de cair, o telefone tocou. Se encaminhou até as escadas e contou o acontecido. Seus olhos não se encheram de lágrimas, não existia mais forças.
No restante do dia, não choveu mais. Seus ouvidos capturavam as vozes tão conhecidas e o coração apertava cada vez mais. E a dor se transformou em dor física. E os olhos não conseguiram mais segurar a dor e transbordaram em lágrimas.
E a partir desse momento, a tristeza e a dor se fizeram presentes em todos os momentos.
Formado o corredor, não houve quem segurou as lágrimas. O caminho, não longo, demorou uma eternidade para ser feito, a cada passo, o coração apertava mais e as lembranças se lançavam num misto de dor, saudade e alegria. Não tinha mais forças. Nem mais o que ser feito.
Lembranças. Apenas as lembranças sobreviveram.

O pior de tudo foi quando virou dor física. A dor sentida se tornou dor física. E eu não aguentei por muito tempo…
“As palavras comovem, mas os exemplos arrastam.”

-Você pensa em mim antes de dormir?
-Não. Não só antes de dormir, eu penso o tempo inteiro.

“… quiser ser meu namoradinho
E me der o seu carinho sem ter fim
Pra você eu digo sim”

http://br.youtube.com/watch?v=C8IQlax-egE
“Beauty queen of only eighteen
She had some trouble with herself
He was always there to help her
She always belonged to someone else…”